Sagrada Familia

Sagrada Familia

A sessão conta com a presença do realizador e haverá uma conversa informal com o público no fim

 

Em ruptura com a Igreja Católica, uma freira regressa a uma ideia de família onde o fosso entre dogma e fé irão levar a uma decisão irreversível

 

NOTA DO REALIZADOR

Freiras sempre foram para mim figuras misteriosas.
As suas contradições. Recordo-me da Irmã Rosa, a minha afectuosa, exigente, baixa e gorda professora primária que uma vez ensanguentou a boca a um colega com uma rajada de estaladas rijas. Também me lembro da Madre Teresa, severa e sisuda como nos estereótipos; da Irmã Aurora, demente; da Irmã Gisela, criança presa num corpo de noventa anos; da Irmã Susana, a destoar com os seus vinte e poucos anos de juventude; da Irmã Adelaide, que, dizia-se, tinha deixado uma filha para trás. Eram muitas. Viviam como uma família na residência contígua à escola, vestiam cinzento e ninguém sabia muito mais sobre elas.
Foi num colégio católico gerido por irmãs franciscanas, entre os meus 3 e 14 anos, que encontrei a minha fé católica. Também foi lá que a perdi. Volvidos muitos anos, algumas daquelas figuras misteriosas vagueiam as minhas memórias. Senti que precisava de conhecê-las melhor e por isso imaginei a história de uma delas – a minha versão da Irmã Adelaide, hipotética freira-mãe – na expectativa de investigar coisas que me atormentavam. Como a diferença entre a fé e a instituição Igreja, e a influência da Igreja na nossa percepção da maternidade, da família e da mulher. Na religião católica, mulher e mãe são indissociáveis, assim como dogma e fé. A Virgem Maria, mãe de Jesus, é cheia de graça e bendita entre as mulheres; bendito é o fruto do seu ventre. É o modelo de virtude pela sua vocação para a fé e pela sua vocação (igualmente sagrada) para a maternidade. Conseguiu fazer de forma nobre e pura tudo aquilo em que Adelaide, a protagonista do filme, falha redondamente, a percepção da maternidade, da família e da mulher. Na religião católica, mulher e mãe são indissociáveis, assim como dogma e fé. A Virgem Maria, mãe de Jesus, "é cheia de graça e bendita entre as mulheres; bendito é o fruto do seu ventre". É o modelo de virtude pela sua vocação para a fé e pela sua vocação (igualmente sagrada) para a maternidade. Conseguiu fazer de forma nobre e pura tudo aquilo em que Adelaide, a protagonista do filme, falha redondamente.

ELENCO
Irmã Adelaide / Adelaide · Teresa Sobral
Salomé · Beatriz Maia
Médico (voz) · Daniel Viana
Mulher · Carla Madeira
Juiz Eclesiástico · Miguel Monteiro Irmã Luísa · Sílvia Barbeiro
Irmã Célia · Maria Cardetas Melo Pai Telma · Adriano Carvalho
Mãe Telma · Patrícia André
Telma · Beatriz Forjaz
Obstetra · Soraia Rêgo
Assistente do Bispo · Pedro Fontes

EQUIPA

Escrito e realizado por Diogo S. Figueira
Produzido por Vasco Esteves, Luís Galvão Teles e Diogo S. Figueira
Direcção de Fotografia · Guilherme Daniel
Direcção de Som · Tomé Palmeirim
Direcção de Arte e Figurinos · Nádia Henriques
Maquilhagem e Cabelos · Catarina Santiago
Direcção de Produção · Afonso Santos
Montagem · Pedro Cabeleira
Montagem de som e mistura · Joana Niza Braga
Correcção de cor · Andreia Bertini
VFX · Francisco Carvalho
Design e Grafismo · Inês Bento
Produção · Fado Filmes

BIO. REALIZADOR

Diogo S. Figueira é argumentista, produtor e dramaturgo.
Co-escreveu as curtas “By Flávio” (Festival de Berlim’22) e “Filomena” (IndieLisboa’19), as duas temporadas da série de ficção “Três Mulheres” (pela qual foi nomeado para o PRIX Europa de Melhor Ficção de TV e para o Prémio Autores da SPA em 2019), e também “O Labirinto da Saudade” (Prémio Sophia para Melhor Documentário), adaptação do livro homónimo de Eduardo Lourenço. Em 2020 foi seleccionado para a residência artística Canneseries Unlimited, onde começou criou uma série original para televisão actualmente em fase de desenvolvimento. Desde 2021 estreou, como autor as peças de teatro “Abrigo para Náufragos” e “Titãs”.
“Sagrada Família” é o seu primeiro filme como realizador. Tem vários projectos para cinema, televisão e teatro em desenvolvimento.

BIO. PRODUTORA

Fundada pelo realizador e produtor Luís Galvão Teles, a Fado Filmes conta já com mais de 40 longas-metragens produzidas, maioritariamente coproduções internacionais. Muitos destes filmes foram selecionados e galardoados em festivais internacionais como Veneza, Cannes, Roterdão e San Sebastian. Entre as suas produções mais recentes encontram-se: “A Rainha e a Bastarda” série histórica com argumento de Patrícia Muller estreada na RTP (2022), “O Silêncio de Goya” de José Luis López-Liñares (Cannes Classic 2022), “Nunca Nada Aconteceu” de Gonçalo Galvão Teles (Mostra de São Paulo 2022), “Deserto Particular” de Aly Muritiba (vencedor do prémio do público na Giornate Degli Autori de Veneza 2021), “AvóDezanove e o Segredo do Soviético” de João Ribeiro (Pan-African FF 2020), “O Grande Circo Místico” de Carlos Diegues (Cannes 2018) e “Jefe” de Sergio Barrejón (Netflix 2018). Nascida em 1997, a Fado Filmes completou 25 anos de atividade em 2022.

Sagrada Familia

Portugal, 2023
Género: Ficção, Drama Duração: 22 min

m/12

HORÁRIO

23 de Janeiro de 2026

19h00

LOCAL
Auditório

Bilhetes
5€

Contactos
936 946 845  (quarta a domingo, 15h/20h)

Reservas:
bilheteira.tascadasartes@gmail.com